quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

um pra cá

.




















let's play that, baby!
esta é a balada da terceira idade juvenil
onde ninguém pega ninguém
por, justamente, estarem todos na solidão
há que se dizer: o ritmo é LENTO e o volume é BAIXO
conversar é preciso, dançar não é preciso
(mesmo com olhos baixos e língua enrolada)
se acha isso tudo uma caretice, não entre
ora, pessoas novas (quase) nunca são benvindas
aos de dentro, quando cansarem, podem sair
ir e voltar - esse movimento está permitido!
siga o silêncio para achar a festa
estaremos sempre no mesmo lugar
lembre-se: não toque na vitrola,
não se deve mudar o ritmo deslocado.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Azul Maré





Ele não costumava mudar de perfume. Sempre achou cheiro algo fundamental, e tinha medo de mudar e errar na novidade, algo que não provocasse e que não fosse marcante. Melhor dizendo, ele até mudava, mas só entre o perfume Vermelho e o Azul. Passava por uma fase Vermelha há muito tempo. A última vez que ele usou o Azul foi quando a menina pequena de sorriso branquinho moradora da beira do mar havia ido embora.

No último sábado, o frasco de Vermelho borrifou o que restava. Então, a decisão foi tomada: amanhã é dia de Azul. Não que o Azul seja melhor ou pior que o Vermelho, mas tava na hora de mudar de cheiro, sabor, sonhos, atitudes e até fazer a barba. Já vai fazer três anos.

Existem coisas que mudam, mas também há aquelas que não mudam nunca. Pior quando a gente acha que mudou.

De perfume novo e rotina nova, ele vai pegar sua irmã na escola. Um cara família, de fato. Mas a irmã não chegava. Mulheres sempre demoram.

SURPRESA! Um menina pequena de sorriso branquinho ali longe, e chegando perto. Vinha como uma onda chegando na praia. Ela mora na beira do mar. A onda quebrou:

- Surpresa boa! Fazendo o que por aqui?

- Vim pegar minha irmã. - disse o cara do perfume, escolhendo bem as palavras.

- Ah... Tem feito o que?

- Rotina de sempre: faculdade, estágio, espanhol e desespero de fim de curso. Coisas chatas. Só isso!

- Sempre ocupaaadíííssimo! Ah, coisa chata é vida de cursinho.

- Mas passa já! Pouquinho de paciência é bom pra todo mundo. Não que eu seja um bom exemplo disso.

É agora que a maré vira. A pequena dá um caldo no cara:

- Por falar em paciência, quando a gente senta pra conversar com calma?

Ele submergiu, alguns segundos de apneia, e furou a onda:

- Sexta? 15h?

Calmaria.

- Sexta. 15h!

É paciência foi preciso pra esperar a semana quase secular. Tem como 100 anos em uma semana? Pois acredite. Foi assim.

E lá vem o mar de longe. A maré subiu um pouco atrasada; meia hora, aproximadamente. Mulheres demoram demais. E ele doido pra dar um mergulho.

- Ahhh, desculpa! Esperou muito tempo?

- Faz quase três anos. - suspirou o mergulhador.

Pior é quando a gente acha que mudou. Tudo é sempre igual.

domingo, 9 de outubro de 2011

Espavento


por: troutfactory


me pegou como um susto
quebrou meus óculos
furou meus olhos
o amor

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sagrada Profana

[ letra de uma música feita ontem e inspirada no centro do mundo ]

é um momento de oração
a minha santa é de carne e sangue
prostrado, é amargo servi-la
eu gosto do gosto,
do gozo dessa religião
sussurros, apelos,
promessas pra toda vida

sábado, 13 de agosto de 2011

ué?

eu
eu você
eu e você

sou
eu sou você
eu sou mais você

sozinho
soulzinho
sou todinho
você

eu
você e eu
nós
ué?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Truque

[ texto fruto de um sonho 'psicodélico' que eu tive. eu já fui power ranger e até mosqueteiro. dessa vez eu era mágico. matutei um pouco ao acordar. eis o texto. a foto é de um amigo mágico, Horus ]



Descia, desesperado, as escadas da torre

Um estranho disse "pule a janela"

(Mas havia cerca elétrica)

Uma gorda perguntou quem era

Falou o nome e o que fazia

Ela riu e perguntou de novo "Quem é você?"

Não quis saber, correu

No salão, uma multidão esperava

- QUEM É VOCÊ?!

- Eu sou mágico!

.

Fez objetos voarem

Cartas falarem

Pessoas felizes

(Uma verdadeira ilusão)

Ratos invadiram a torre

Roeram a roupa das vidas

.

- Escolha uma carta!

"Eu quero ilusão", todos disseram

Todos felizes, então.

.

Eis o grande truque


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Entre livros e ilusões



[ Baseado em fardos (sur)reais ]



 Ele se espriguiçava levando as mãos a nuca. Depois levantando os dois braços. Depois baixava o esquerdo e coçava a nuca, mantendo o direito levantado - o braço a ser mantido variava. E bocejava exageradamente pra finalizar seu ritual. Coça os olhos com um pouco de sono - já estava na biblioteca por algumas horas sem desgrudar os olhos da leitura. Olha para o nada e antes que baixe a cabeça por completo numa posição confortável para retornar ao seu "banquete", ele a viu subindo as escadas. Aquele mesmo cabelo castanho claro ondulado moldando o rosto branco decorado com dois olhos inquisitores sobre um narizinho empinado próximo à boca rosada - como se fosse um suave golpe de pincel finalizando a obra.


 O pequeno corpo branco e macio - digo pequeno em altura, porque era um corpo largo, mas não gordo, era gostoso - passou por ele rápido, pisando o chão bem forte e negando a existência daquele corpo sentado bem próximo. Dobrou a esquerda e se perdeu entre as estantes de Literatura. Ele ficou louco, não a via desde Dezembro e já era quase Carnaval. Ele era facinado em olhar pra ela, nunca havia dado um "oi" sequer, mas se contentava em olhar, talvez algo a mais estragasse o encanto. Mas ele tomou coragem - nem tanta assim - e foi em direção aos livros de Literatura. Foi ao meio do corredor - ela estava no início - fingia procurar livros e foi se aproximando despreocupadamente. Então, disparou:



- Você cursa letras, né? - ele perguntou hesitante.


 - Sim. - ela respondeu indiferente.


 - Indica um bom livro?


 - De que você gosta? - ela nem olhava pra ele.


 - Dos que não me deixem parar de ler.


 - Talvez eu não possa lhe ajudar. - ela disse num tom de fim de conversa.



Ele percebeu e retomou.



- Não?


- Eu preciso saber do seu gosto. - ela respondeu impaciente, olhando pra ele e franzindo a testa.


- Pedi uma indicação, então confie no seu gosto. - falando firme.


- Eu confio. E ele me diz que eu não gosto de você. - quase mutilando com os olhos.


- É? Vejo que somos opostos, então. - um tom descontraído na voz.


- É? - voz indiferente, despreocupada procurando seus livros.


- Sim, eu gosto de você. Idiotamente. - lançando um olhar dissimulado.


- Olhe... Já disse que não posso lhe ajudar.


- Tá, já me contenta ler você.


- Eu sou uma nota. Você tem dez segundos...



Ela virou as costas e saiu. Ele manteve o seu sorriso de escárnio

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